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O desespero do PT, Rui do Tigrinho e a fuga de Jerônimo

Redação Nexo Bahia··4 min de leitura
O desespero do PT, Rui do Tigrinho e a fuga de Jerônimo
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Foto: Reprodução

O PT da Bahia chegou ao cúmulo do desespero com a ofensiva judicial contra influenciadores que declararam o chamado voto “LuNeto”, aquele em que o eleitor escolhe Lula para presidente e ACM Neto para governador. A medida ocorre após o grupo petista avançar também, usando a Justiça Eleitoral, contra lideranças políticas que já tinham declarado o voto “LuNeto”, como o ex-prefeito de Jacobina Tiago Dias, que chegou a ter as redes sociais suspensas. Outro sinal do desespero foi, no debate da Band, a dobradinha entre Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL) contra ACM Neto para tentar influenciar o eleitor lulista. A prática, além de sinalizar a preocupação extrema dos petistas, evidencia um ataque à democracia, e logo daqueles que se dizem paladinos dela.

Alerta vermelho

O movimento “LuNeto” já teria aparecido em levantamentos eleitorais e, para os petistas, o dado mais incômodo estaria justamente fora dos grandes centros. Pesquisas realizadas em cidades menores e regiões mais afastadas, onde historicamente o partido registra forte presença eleitoral, estariam captando eleitores dispostos a separar completamente as duas disputas. Segundo relatos que chegam à coluna, o que mais assustou lideranças petistas foi o registro desse movimento até mesmo em assentamentos rurais.

Rui do Tigrinho

O ex-ministro Rui Costa (PT), que há tempos carrega entre adversários o apelido de “Rui dos Respiradores”, numa referência ao caso da compra de respiradores, ganhou agora uma nova alcunha nos bastidores: “Rui do Tigrinho”. O motivo foi uma publicação nas redes sociais, batizada de “Rui da Sorte”, na qual o ex-ministro recorre ao universo das apostas e dos jogos de azar. A publicação é, no mínimo, de gosto duvidoso. As bets se transformaram em uma preocupação nacional justamente pelos efeitos que podem provocar no orçamento doméstico, sobretudo entre famílias de menor renda, com endividamento e dependência.

Brincadeira tem hora

Para quem costuma subir o sarrafo quando o assunto é cobrar responsabilidade dos outros, faltou medir a própria aposta. Há temas que comportam piada. A tragédia financeira provocada pelo vício em jogos na vida de milhares de brasileiros definitivamente não é um deles.

Fugiu de casa

Depois de se autodeclarar vencedor do debate da Band, o governador Jerônimo Rodrigues estranhamente fugiu do debate marcado pela TVE para o dia 27 de agosto. Pelas regras do confronto, se um dos candidatos não confirmasse presença, a emissora simplesmente não realizaria o debate. ACM Neto e Ronaldo Mansur já haviam confirmado participação, mas Jerônimo preferiu fugir, apesar da arena do embate ser uma emissora pública do Estado. Ou seja, o governador acabou fugindo da própria casa. Se de fato o desempenho foi tão bom na Band, por que não repetir a dose?

Foi para o buraco

Ainda sobre o debate da Band, Jerônimo conseguiu fazer de tudo, menos responder objetivamente às perguntas sobre os problemas da Bahia. Bateu boca com a mediadora, apresentou números e dados que, já no dia seguinte, foram confrontados por moradores de cidades onde supostamente haveria obras em andamento, e recorreu até à agenda identitária e racial quando não conseguiu responder sobre a cratera na BR-324. A rodovia está sob responsabilidade do governo federal, de quem Jerônimo é aliado político e com quem tanto pregou parceria durante a campanha de 2022. Pelo visto, essa parceria foi para o buraco, literalmente.

Acusou o golpe

E por falar na cratera, apelidada nas redes sociais de “Buraco de Jero”, Jerônimo acionou a Justiça Eleitoral para derrubar um vídeo publicado por ACM Neto sobre a situação, que já dura semanas sem solução. Ou seja: o governador parece mais preocupado em tentar conter a repercussão, cada dia maior, do que em resolver o problema.

Marolinha

O senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT) minimizou esta semana o avanço das investigações relacionadas à operação Compliance Zero, nas quais passou a ser alvo por suspeita de ter atuado para favorecer um banco. Segundo Wagner, tudo será esclarecido e o caso não passa de uma “marola de véspera de eleição”. O termo faz lembrar o Lula de 2008, que minimizou os efeitos da crise financeira que começava nos Estados Unidos e que, pouco depois, chegou ao Brasil e ajudou a empurrar o país para uma das maiores recessões de sua história. Wagner ainda criticou a condução da investigação e disse faltar habilidade aos policiais federais, classificando como frágeis os apontamentos feitos até agora. A história recomenda cuidado com o tamanho das ondas.

Ponte eleitoral

Já que o assunto é mar, o projeto, ou melhor, a propaganda da ponte Salvador-Itaparica vai entrar na mira da Justiça. A campanha do candidato a governador ACM Neto (União Brasil) vai acionar as medidas legais contra as peças publicitárias que a concessionária responsável pela Ponte espalhou por Salvador, mesmo sem uma estaca batida sequer. Com o governo impedido de fazer publicidade institucional durante o período eleitoral, a concessionária passou a divulgar outdoors que reproduzem traços muito semelhantes aos usados pelo Estado. Se a publicidade servir para ocupar o espaço que o governo não pode mais ocupar, transformando uma promessa em peça de propaganda, o caso deixa de ser apenas estético e passa a ter contornos eleitorais. Em uma eleição, usar uma obra que sequer começou para influenciar o eleitor é uma manobra que merece ser investigada.

Sem aprovação

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deu 30 dias para o governo Jerônimo Rodrigues revisar normas da educação estadual após identificar o que chamou de uma espécie de aprovação automática disfarçada. A questão é que a portaria adotada pelo governo vigorou por dois anos e serviu de base para o fluxo escolar, um dos critérios considerados nos indicadores do Ideb. Mesmo com o mecanismo em vigor, a Bahia continuou entre os piores desempenhos do país. Ou seja: nem a matemática da aprovação automática conseguiu aprovar a educação baiana.

Sem presença

Se a aprovação automática já colocou a educação de Jerônimo sob suspeita, o Bolsa Presença acrescenta outra conta nessa história. Principal ativo do governo para combater a evasão escolar, o programa consumiu quase R$ 1 bilhão em 2025, mas segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) a gestão estadual não conseguiu comprovar de forma satisfatória que o dinheiro produziu o resultado esperado. Para piorar, apareceram desencontros entre as informações das empresas responsáveis pelos cartões dos benefícios e os números apresentados pelo próprio Estado. Não se sabe, portanto, quantificar o volume de estudantes que foram (e se foram) preservados em sala de aula pela medida. Virou investimento no escuro.

Texto: Pombo Correio, Correio

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